O Ministério da Educação (MEC), por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), iniciou na quarta-feira (13) o período de renegociação do Desenrola Fies 2026. A iniciativa permite que estudantes regularizem dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) com descontos que podem chegar a 99% sobre o saldo devedor. O prazo para adesão segue aberto até o dia 31 de dezembro de 2026. Segundo o Governo Federal, a renegociação pode ser feita junto à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil, tanto pelos aplicativos oficiais quanto presencialmente nas agências bancárias.
O programa contempla estudantes que contrataram o Fies até o ano de 2017 e que estavam na fase de amortização em 4 de maio de 2026. De acordo com o MEC, contratos adimplentes e inadimplentes poderão participar da renegociação, conforme as condições previstas para cada perfil de dívida. Já estudantes que contrataram o financiamento estudantil a partir de 2018 não poderão aderir ao Desenrola Fies. Também ficam de fora contratos que ainda estejam nas fases de utilização do financiamento ou período de carência.
Segundo o Ministério da Educação, a data de 4 de maio de 2026 foi utilizada como referência para verificar se o contrato estava efetivamente na fase de amortização. O marco também é utilizado para aplicação dos critérios relacionados ao tempo de inadimplência e ao enquadramento no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). O objetivo do governo é direcionar as melhores condições de renegociação para estudantes em situação de maior vulnerabilidade financeira.
As condições oferecidas pelo Desenrola Fies variam conforme o perfil do contrato e o tempo de atraso no pagamento das parcelas. Para estudantes sem atraso ou com atraso de até 90 dias, o programa oferece desconto de 12% para pagamento à vista. Já contratos com débitos vencidos há mais de 90 dias poderão receber desconto de 12% sobre o saldo principal, além da eliminação total dos juros e multas acumulados ao longo do período de inadimplência.
Nos casos de contratos com atraso superior a 360 dias, os descontos podem chegar a 77% sobre o saldo total da dívida. Para estudantes inscritos no Cadastro Único, o desconto sobe para 92% do valor consolidado. Já beneficiários do CadÚnico com atraso superior a cinco anos poderão quitar a dívida com desconto de até 99%. Além disso, o programa oferece possibilidade de parcelamento em até 150 meses, dependendo da modalidade de renegociação disponível para cada contrato.
O Governo Federal informou ainda que estudantes com nome negativado também poderão aderir ao programa. Após a formalização da renegociação e o pagamento da parcela de entrada, ocorre a retirada do nome do estudante e dos fiadores dos cadastros de inadimplentes, quando aplicável. O MEC destaca que a renegociação não é confirmada imediatamente após a solicitação. A efetivação só acontece depois da compensação do pagamento inicial. Caso a entrada não seja quitada, a proposta será automaticamente cancelada pelo sistema.
A renegociação pode ser realizada diretamente pelos aplicativos oficiais das instituições financeiras responsáveis pelos contratos. No caso do Banco do Brasil, o atendimento ocorre pelo Aplicativo BB. Já estudantes vinculados à Caixa Econômica Federal devem utilizar o Aplicativo Fies Caixa. Os beneficiários também podem procurar qualquer agência bancária da instituição responsável pelo contrato, sem necessidade de comparecer à agência onde o financiamento original foi assinado.
Os canais oficiais de atendimento também foram reforçados pelo Governo Federal para auxiliar os estudantes durante o período de renegociação. Na Caixa Econômica Federal, os atendimentos podem ser realizados pelos telefones 4004-0104 e 0800 104 0104, além do Aplicativo Caixa. Já no Banco do Brasil, os estudantes podem buscar informações pelos números 4004-0001 e 0800 729 0001, além do Aplicativo BB. Segundo o MEC, em casos específicos, principalmente contratos com parcelamentos mais longos e necessidade de fiador, o atendimento poderá exigir comparecimento presencial à agência bancária.
Criado em 2001, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) concede financiamento para estudantes de graduação em instituições privadas participantes do programa e avaliadas positivamente pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Desde 2018, o Fies passou a oferecer juros zero para estudantes de baixa renda, além de condições ajustadas conforme a renda familiar do candidato. Para participar do programa, o estudante precisa ter realizado o Enem a partir de 2010, obtido média mínima de 450 pontos nas provas e nota superior a zero na redação.
O Desenrola Fies integra as ações do Novo Desenrola Brasil, instituído pela Medida Provisória nº 1.355/2026. Segundo o Governo Federal, o objetivo é reorganizar a vida financeira de milhões de brasileiros que possuem dívidas em atraso relacionadas ao financiamento estudantil. O MEC também informou que o programa não prevê utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento das dívidas do Fies.
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